segunda-feira, 10 de abril de 2017

Cena 1634: Sobre a experiência mais intensa da minha vida: o parto domiciliar





Relato de partos da Selina e da Diana

Fiz um comparativo entre as minhas duas experiências de parto, hospitalar e domiciliar.

Atenção: Antes de começar a ler entenda que existem hospitais que são referência em humanização onde muitas mulheres têm partos lindos. Infelizmente nenhum deles fica perto de mim, por isso eu optei pelo parto domiciliar planejado, para dar um nascimento respeitoso à minha filha e para fugir das intervenções desnecessárias. 

Selina nasceu dia 11/09/2012, no hospital, 39+5.
Diana nasceu dia 07/01/2016, em casa, 40+1.

- ALIMENTAÇÃO:
Hospital: Jejum. Nem um copo de água durante o trabalho de parto mesmo eu dizendo que estava com sede. Após o parto não podiam me dar nada para comer porque a cozinha do hospital já havia fechado.

Em casa: Tomei muita água, comi o que tive vontade durante o trabalho de parto e pós parto.

- LIBERDADE DE MOVIMENTO:
Hospital: Nenhuma liberdade, fui obrigada a ficar o tempo todo deitada e não podia levantar da cama nem para ir ao banheiro.

Em casa: Liberdade total de movimento.

- ACOMPANHANTE:
Hospital: Não foi permitida a entrada de acompanhante no primeiro momento. Várias enfermeiras alegaram que era norma interna do hospital. Depois de um tempo o obstetra entrou na sala para me examinar e disse que era pra chamar o Márcio.

Em casa: Além da equipe de parto, o Márcio e a Selina acompanharam o nascimento da Diana.

- EXAME DE TOQUE:
Hospital: A cada contração era feito exame de toque por mais de uma enfermeira.

Em casa: Não foi feito exame de toque em nenhum momento.

- MÉTODOS PARA ALÍVIO DA DOR:
Hospital: Buscopan, mas só soube depois. A enfermeira me aplicava, mas não me dizia o que era.

Em casa: Piscina e chuveiro com água quente, massagem, bola de pilates, caminhada.

- AGRESSÕES FÍSICAS/VERBAIS:
Hospital: Uma enfermeira me disse "para de frescura, ano que vem tá aqui de novo" e outra me fez deitar à força quando eu quis sentar na cama e pedi para ir ao banheiro.

Em casa: Total respeito ao meu corpo e espaço.

- POSIÇÃO PARA PARIR:
Hospital: Posição litotômica (deitada). A única posição aceita pelo obstetra.

Em casa: Na banqueta, embaixo do chuveiro. Pude escolher a posição que me deixava mais confortável.

- EPISIOTOMIA:
Hospital: Foi feita sem a minha autorização.

Em casa: Nenhum corte, nenhum ponto. Períneo íntegro.

- OUTRAS INTERVENÇÕES:
Hospital: Ocitocina sintética, manobra de kristeller.

Em casa: Nenhuma intervenção desnecessária, a equipe respeitou todas as minhas vontades. Parto totalmente natural e hands off.

- NASCIMENTO:
Hospital: Mal vi a Selina e levaram para o pediatra examinar, depois berçário.

Em casa: A Diana veio direto para o meu colo e ficou comigo o tempo todo. A Selina teve contato com a irmã poucos minutos após o parto.

- INTERVENÇÕES NO BEBÊ:
Hospital: Só lembro da aspiração e colírio, estava muito "grogue" para lembrar de tudo.

Em casa: Nenhuma desnecessária. Todos os testes foram feitos na minha presença e a equipe sempre me explicando o que estava fazendo.

- CORTE DO CORDÃO UMBILICAL:
Hospital: Logo ao nascer.

Em casa: Somente depois que parou de pulsar.

- CONTATO COM O BEBÊ:
Hospital: Tive que brigar para deixarem a Selina comigo. Fui a última a pegar ela no colo.

Em casa: A Diana não saiu de perto de mim em nenhum momento.

- ALEITAMENTO MATERNO:
Hospital: Só voltei a ver a Selina quase 2 horas após o nascimento. Não foi incentivado o aleitamento materno e a enfermeira ofereceu leite artificial na mamadeira.

Em casa: Diana mamou no peito na primeira hora de vida.

- PRIMEIRO BANHO DO BEBÊ:
Hospital: Levaram a Selina de manhã cedo e me trouxeram banhada. Não vi quem ou como deu banho nela.

Em casa: O primeiro banho da Diana foi dado por mim, pelo Márcio e pela Selina.

* * *

Eu sei que muitas mulheres tiveram partos maravilhosos em hospitais, porém, cabe ressaltar que essas foram as minhas experiências e do hospital a única lembrança boa que eu tenho é da hora de ir embora.

Minha gestação era de risco habitual por isso o parto domiciliar planejado era seguro para mim e para a Diana. Fiz todos os exames do pré-natal para descartar qualquer problema. Caso acontecesse alguma intercorrência durante o trabalho de parto a equipe providenciaria a remoção para o hospital. Parir em casa não foi um ato de coragem, foi confiança em mim, no meu corpo, com toda a segurança que a equipe me ofereceu. Foi uma escolha baseada em muita informação.

Fui atendida pela equipe Ambra, de Santa Maria: Lizandra Flores, Tamiris Pugin, Luana Fietz Raznievski, Kelen Pompeu, Rosiele Flores e Dani Brasil.
Meu eterno obrigada por terem aceitado esse desafio de vir a Santiago para que o nascimento da Diana acontecesse de maneira totalmente natural, cercado de respeito e carinho. Me senti acolhida e cuidada.
https://www.facebook.com/equipeambra

Obrigada, Greice, por todas as conversas durante a gravidez, pelo tempo ao meu lado contando as contrações, pelas visitas no pós parto que me ajudaram a ficar mais tranquila e confiante.

Se alguém tiver dúvidas sobre o parto domiciliar planejado pode me enviar uma mensagem que terei o maior prazer em responder.

-

Esse relato foi postado originalmente na minha página pessoal do facebook:

Cena 1633

Quase 2 anos se passaram desde a última vez que postei nas cenas da minha memória. Muitas coisas mudaram, outras não tanto. Sinto saudade desse espaço... vou tentar, aos poucos, voltar e colocar alguns assuntos em dia.