domingo, 4 de setembro de 2011

Cena 986: Dream Theater: no topo inatingível do metal progressivo

Realmente, substituir um baterista do nível de Mike Portnoy é uma tarefa das mais tormentosas, sem dúvida. E depois de uma grande novela envolvendo o nome do novo baterista, a banda anunciou no final de abril de 2011 que o excepcional Mike Mangini seria o responsável pelas baquetas. Quem conferiu os vídeos das audições do cara, bem como todo seu histórico como músico, pode perceber o quanto este é um excelente baterista, e poderia se encaixar bem à proposta da banda, que realiza um dos sons mais complexos e emotivos de que se tem notícia.

Então, em relação à sua qualidade como baterista, não havia dúvida de que Mangini não ficaria muito atrás de Portnoy, pois ambos são bateristas geniais. Mas a grande dúvida dos fãs era saber como ficaria o som da banda sem a influência de Portnoy nas composições, posto que, além de um grande baterista, este é um compositor fenomenal, e exercia esse papel de forma bastante ativa na banda, além de possuir um carisma gigantesco.

E esta resposta já fica clara logo com a primeira audição do disco: felizmente, a qualidade das composições, incluindo as passagens mais complexas e intrincadas, foi mantida, graças ao trabalho conjunto de John Petrucci e Jordan Rudess, grandes responsáveis pelas novas músicas, que mantém o nível de excelência que o Dream Theater forjou ao longo dos anos.

John Petrucci continua com a criatividade de sempre, esbanjando técnica e precisão em seus solos e riffs, ora mais melódicos, ora mais agressivos, mas sempre muito complexos e técnicos. John Myung também é um baixista monstruoso, mas, infelizmente, mais uma vez foi prejudicado pela mixagem do disco, que acabou por deixar seu instrumento escondido nas partes mais “recheadas” das músicas, sendo mais perceptível apenas nas partes mais leves ou instrumentais, solando ou fazendo base para os demais instrumentos.

Confesso que nunca fui muito fã de James LaBrie, mas não há como negar que ele evolui a cada trabalho, e sua voz é muito marcante, e já se tornou referencia ao som da banda, conseguindo transmitir muito sentimento com suas interpretações. E Mike Mangini, bom, realmente foi a escolha certa para a banda, sendo um baterista fenomenal, com muita técnica e uma pegada bastante agressiva, conforme comprovam suas incursões nas passagens mais intrincadas, comuns nas músicas do DREAM THEATER.

Deixei para tratar do trabalho de Jordan Rudess para o final porque realmente é um dos grandes destaques do trabalho, incluindo novos elementos na sonoridade da banda, deixando-a ainda mais especial e diversificada, se é que isto é possível. Comete alguns exageros, é verdade, mas nada que comprometa sua grande atuação no álbum.

O álbum já abre com a excelente e pesadíssima “On the Backs of Angels”, cujos teclados com coros iniciais lembram um pouco os tempos áureos do Stratovarius, e é repleta de peso e partes quebradas, daquelas para fazer a alegria de qualquer fã, e possui um refrão emotivo típico da banda.

“Build Me Up, Break Me Down” possui alguns elementos mais modernos meio estranhos, mas tem um belo refrão, além de riffs muito cativantes. Já “Lost Not Forgotten”, com seus mais de 10 minutos de duração, é repleta de climas diversificados, riffs pesados e técnicos, e possui uma levada de bateria espetacular, além de ótimos solos, tanto de guitarra como de teclados, e mais um refrão muito cativante, sendo uma das mais progressivas do trabalho, com todos os elementos que elevaram o Dream Theater à qualidade de maior banda do metal progressivo de todos os tempos. Ah, e nesta faixa o baixo é mais perceptível, e muito legal.

Na sequência temos a emocional “balada” “This is the Life”, replete de teclados climáticos e solos fantásticos de John Petrucci. “Bridges In The Sky” também segue a linha mais progressiva, e é uma das mais pesadas do disco, com riffs que beiram ao thrash metal, e com LaBrie em sua melhor forma, cantando de forma mais agressiva. Destaque também para os teclados de Jordan, muito diversificados e repletos de novas influências. Genial.

“Outcry”, para variar, também é cheia de passagens pesadas, complexas e quebradas, sendo repleta de grooves e solos virtuosos, e um baixo muito técnico. “Far From Heaven”, a menor do album, é uma balada bem emocional e climática, conduzida pelos teclados de Jordan, e com mais uma bela interpretação de LaBrie.

Em “Breaking All Illusions”, que possui todos os elementos progressivos sempre presentes no som da banda, aliando novas influências, principalmente nos teclados, muito bem arranjados e executados, com algum toque de elementos setentistas, a banda mostra que não esta para brincadeira, criando harmonias completamente carregadas de emoção, e passagens instrumentais simplesmente perfeitas, sendo uma das melhores composições do disco. Por fim, encerrando o trabalho, temos outra balada, “Beneath The Surface”, que apesar de ser mais direta e com uns teclados meio estranhos, é mais uma bela canção.

Enfim, pode não ser o melhor trabalho da banda, mas mesmo assim é um disco excelente, e o DREAM THEATER continua no topo inatingível do metal progressivo. E embora tenha causado calafrios nos fãs, não foi a saída de Mike Portnoy que conseguiu fazer a banda perder o seu brilho. Podem ficar tranqüilos e conferir o material sem medo.

A Dramatic Turn of Events – Dream Theater
(2011 – Roadrunner Records – Importado)

Formação:

James LaBrie - Vocals
John Myung - Bass
John Petrucci - Guitar
Mike Mangini - Drum
Jordan Rudess – Keyboards

Tracklist:

01. On the Backs of Angels 08:42
02. Build Me Up, Break Me Down 06:59
03. Lost Not Forgotten 10:11
04. This is the Life 06:57
05. Bridges In The Sky 11:01
06. Outcry 11:24
07. Far From Heaven 03:56
08. Breaking All Illusions 12:25
09. Beneath The Surface 5:26


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