quinta-feira, 1 de julho de 2010

Cena 322: Pessoas chatas

Eu estava na fila de uma casa lotérica (lotada, faça-se saber) para pagar as minhas contas e, como de costume, com os fones nos ouvidos. Uma pessoa conhecida chegou atrás de mim e me cutucou:

- Oi, tudo bem? Como está?

Sem muita vontade, aliás, sem vontade alguma, tirei um dos fones e respondi:

- Tô bem.

Acho que ela não entendeu que eu não estava afim de conversa e prosseguiu:

- Mas eu não te vejo mais na rua, o que anda fazendo? Tá sumida...

E com menos vontade ainda eu falei:

- Trabalhando, nada de mais.

E a criatura não parava de falar:

- Mas é assim mesmo, a vida da gente sempre corrida, quase não dá tempo pra nada...

...e seguiu com um blá blá blá... coisas que, sinceramente, eu não lembro. Lá pelas tantas, ela perguntou:

- E o Márcio?

Eu tirei o outro fone do ouvido e respondi:

- Não sei.

Ela ficou muda me olhando e soltou um "Ah, tá...". A única coisa que deve ter passado pela cabeça dela foi: "bah, eles terminaram, perguntei sem saber, e agora?". Dei um sorrisinho, coloquei os fones de novo, me virei e não conversei mais.

Nós não terminamos. Eu realmente não sabia como e onde o Márcio estava naquele momento. Mas essa é uma tática para me livrar de pessoas chatas que tiram o meu sossego: respostas que elas não esperam ou não querem ouvir.

3 comentários:

Lucas Aureli disse...

São esses os verdadeiros vampiros...

Henrik disse...

Há dias em que simplesmente apetece vestir a pele de um outro que não nós, já o tinha escrito algures, e essa é uma das ocasiões.

Rose disse...

Hahahha...eu disse que tu é uma chata, mas espero que continues sempre assim, AUTÊNTICA !!!
Bjo!