sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Cena 110: Dor do Amor

O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba! Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade.

E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do quarto.

Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos!!!

2 comentários:

Cristiano disse...

Li esse texto agora (16h03) e senti cada palavra como sendo pra mim. Dores de amores. Ainda não sei se existe dor pior. A dor de perder alguém que era o céu pra gente. Ficar pensando em cada momento passado com essa pessoa e sabendo que não tem volta. Ando passando por esses dias negros na minha vida me ocupando o máximo possível para não pensar em mais nada. Criei outro blog (acho que você já viu). Criei uma conta no facebook e estou jogando dois jogos lá. Anda lendo (livros, hqs) mais do que costumo ler. Tudo isso, pra não pensar. Não quero pensar mais. Até que essa dor passe.

Anônimo disse...

O que você escreve é sempre perfeito...