quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Cena 37

Não existe volta. O que sobrou foi o silêncio e a perda seguida de dor. O mundo que ele era... uma criatura da luz... mas só para mim. Ele era as batidas do coração em meu peito, mas naquele dia e naquele lugar o orgulho foi quebrado, assim como o coração dele. Hoje eu perambulo na floresta escura e volto ao vale. Hoje eu vago por ruínas profundas sem objetivo, sem descanso. Hoje, eu passo pelas vilas. Hoje, as lágrimas dele estão queimando, então eu as bebo. Aqui estou, humana, e eu beijo meu saudoso despertar. Aqui eu estou, estranha. Ainda mais profundo que o anseio. Lá ele esconde sua vida do mundo, fraca e trêmula. Suas mãos estendidas manchadas de sangue e mutiladas em seu corpo. Uma vez uma luz saiu dele e ele brilhou, e lá ele jaz. Ainda posso ouvir seus gritos... E ele grita... quebrado e abatido... ridicularizado pelo mundo... Nas margens do fosso ele espera a morte coberta de lama e vergonha e eu ouço seus gritos. Uma última vez eu estava lá embaixo no vale, mais uma vez na ravina, mais uma vez na cripta na qual ele se esconde agora, se enterra e se cobre. Ele dificilmente ousa olhar para mim, não ousa tocar-me. Hesitantemente levantamos. Eu seguro sua mão que me leva ao seu coração. O último beijo foi destinado a mim, a alma é seguida pelo coração e os gritos são silenciados.

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